infraero
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 nov 2006
 
Entrevista com Pola Ribeiro
 
Nesta entrevista, Pola Ribeiro dá as coordenadas de Jardim das Folhas Sagradas até o lançamento do filme, em julho de 2007, faz seu balanço sobre produção, elenco e anuncia Pau Brasil, o próximo longa-metragem de sua produtora, a Studio Brasil, que começa a ser rodado no dia 14 de novembro.
 
Como diretor do filme, que avaliação você faria de Jardim das Folhas Sagradas no estágio atual?


Pola Ribeiro

Logo após o final das filmagens, o Antônio Luiz (Mendes, diretor de fotografia) me disse que Jardim acabou do mesmo jeito que começou: com a mesma organização, a mesma programação, a mesma estrutura. Tomei isso como um elogio, porque toda filmagem é sempre um momento de crise, tudo interfere. É uma atividade muito intensa que precisa interagir com as outras atividades de uma cidade, até as climáticas. Você tem prazos, custos a gerir, contratos a serem cumpridos. Felizmente passamos por todo esse período [julho a setembro] com a programação sendo cumprida.
O material captado é belíssimo, está acima do que queríamos. A sintonia da equipe, a performance do elenco e as relações com o movimento negro superaram o planejado, são fruto da sinergia de cada núcleo, de cada ator... Chegar a uma qualidade de relação a que chegamos com a comunidade do Bom Juá é algo marcante: você pedir silêncio para um bairro inteiro, e o bairro fazer silêncio.

 

Quando o filme deverá ser lançado?
O que falta para ficar pronto?

Vamos lançá-lo em julho de 2007. Daqui para frente, nossa opção foi a seguinte: fazer uma primeira parte de preparação da montagem, fazer o sinc das imagens com o material sonoro na Doc Doma e no Estúdio Base. A administração da Studio Brasil e a produção do filme estão resolvendo as pendências de produção que ficam para depois do processo de filmagem. Outubro, novembro e dezembro são meses fundamentais para a captação. É quando as empresas fecham o balanço do ano corrente e aprovam os orçamentos do próximo. Então, todas as nossas forças estão concentradas nisso, em buscar contato com empresas para completar os 50% do orçamento que a carta da Ancine nos permite captar – o que dá R$ 1,8 milhão.





Jardim das Folhas Sagradas: lançamento em julho de 2007

Agora, me sinto outro, outra pessoa. A gente faz o filme, mas o filme também faz a gente. Ainda mais numa produção com 60 atores, 1000 figurantes e 80 profissionais na equipe técnica. E é com esse handcap que parto para fazer a captação do restante dos recursos. Se eu estivesse só montando agora, teria que passar janeiro e fevereiro em busca de patrocínio.
 

De onde veio a primeira parte dos recursos financeiros?

Os 50% de recursos captados são de três grandes estatais: temos, via concurso público, a BR Distribuidora e o BNDES e temos, via FazCultura, a Chesf. Portanto nosso foco é manter diálogo com grandes empresas que, de alguma maneira, tenham sintonia com o projeto e satisfação em investir.

E, conceitualmente, o que você diria hoje do enredo de Jardim das Folhas Sagradas?

O filme trata de progresso e tradição, tecnologia e religião. O metrô, por exemplo, está lá como um símbolo, um marco de desenvolvimento que toda cidade quer. E Salvador quer. É com muito prazer que vejo o andamento das obras do metrô, que está no filme e logo vai estar também na cidade. Então ver o metrô na tela antecipa uma realidade.


 
E os outros projetos de sua produtora?

A Studio Brasil vai filmar a partir de 14 de novembro o longa metragem Pau Brasil, de Fernando Bélens. É momento de torcermos para que tudo dê certo com essa produção que está sediada em Cachoeira, cidade que tem no audiovisual uma vocação histórica, com os seus cenários, grandes filmes realizados e a própria mobilização de intelectuais, artistas e a própria comunidade local.

Não estamos captando apenas para Jardim, mas também para Pau Brasil. Não existe Jardim das Folhas Sagradas sem Pau Brasil, os dois têm que caminhar juntos. São produzidos pela mesma empresa e têm que ser geridos com a mesma responsabilidade e prazer.
 
Não é o grande desafio envolver-se com dois longas? Qual a sua relação com Pau Brasil?

Participo como co-produtor, apenas. Quero dizer, não posso me envolver esteticamente com Pau Brasil. Fernando está querendo fazer esse filme há 18 anos e nós, como amigos, temos isso. Podemos trabalhar um com o outro sem interferir, sabendo para onde o outro quer caminhar.
Somos uma pequena empresa que trouxe outras pequenas empresas, que continuam a me dar respaldo. Procuramos as grandes também para dar um outro carimbo. Temos a co-produção da Quanta e da Tele Image para os dois. Com acordos desse alcance, potencializamos a ação dos dois junto aos patrocinadores.
 
Apesar do tamanho da produção, grande para os padrões locais, e de algumas seqüências mais sofisticadas, Jardim das Folhas Sagradas não é o filme de atores?

Completamente. A começar por dois nomes: Antonio Godi, o protagonista, e Marcio Meirelles como preparador de elenco. Mas também pela presença dos atores convidados, excelentes profissionais. João Miguel, que está no elenco de Cinema, Aspirinas e Urubus (do pernambucano Marcelo Gomes), produção brasileira pré-indicada ao Oscar, com a qual ele ganhou sete prêmios nacionais e internacionais. Maria Menezes, Evelyn Buchegger, Meran Vargens, Arany Santana, Ray Alves, Wilson Mello, Harildo Deda, Rita Santana, Sergio Guedes, José Carlos Ngão, Haydil Linhares, Lucio Tranchesi. Dizer os nomes é uma forma de reconhecer isso e agradecer a todos eles.

Não posso deixar de agradecer, ainda que coletivamente, ao Bando de Teatro do Olodum, cada vez com uma performance mais profissional também no audiovisual. Seja na peça Sonhos de Uma Noite de Verão, ou em Ó Pai Ó, que já virou filme (dirigido por Monique Gardenberg) e será ainda transformado em seriado pela Globo, como no próprio Jardim das Folhas Sagradas.

Do mesmo modo, sou imensamente grato aos meus atores musicais, todos grandes feras: Graça, do Ilê Aiyê, Lazzo, Mariene de Castro, Virgínia Rodrigues e o Afrogueto.




Folhas Sagradas / Ascom
Fotos: Henrique Andrade
Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil