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Entrevista
com Pola Ribeiro |
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Nesta entrevista,
Pola Ribeiro dá as coordenadas de Jardim das Folhas
Sagradas até o lançamento do filme, em julho
de 2007, faz seu balanço sobre produção,
elenco e anuncia Pau Brasil, o próximo longa-metragem
de sua produtora, a Studio Brasil, que começa a ser rodado
no dia 14 de novembro.
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Como
diretor do filme, que avaliação você faria de
Jardim das Folhas Sagradas no estágio atual?
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Pola Ribeiro |
Logo
após o final das filmagens, o Antônio Luiz (Mendes,
diretor de fotografia) me disse que Jardim acabou do
mesmo jeito que começou: com a mesma organização,
a mesma programação, a mesma estrutura. Tomei isso
como um elogio, porque toda filmagem é sempre um momento
de crise, tudo interfere. É uma atividade muito intensa
que precisa interagir com as outras atividades de uma cidade,
até as climáticas. Você tem prazos, custos
a gerir, contratos a serem cumpridos. Felizmente passamos por
todo esse período [julho a setembro] com a programação
sendo cumprida.
O material captado é belíssimo, está acima
do que queríamos. A sintonia da equipe, a performance do
elenco e as relações com o movimento negro superaram
o planejado, são fruto da sinergia de cada núcleo,
de cada ator... Chegar a uma qualidade de relação
a que chegamos com a comunidade do Bom Juá é algo
marcante: você pedir silêncio para um bairro inteiro,
e o bairro fazer silêncio. |
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Quando
o filme deverá ser lançado?
O que falta para ficar pronto?
Vamos
lançá-lo em julho de 2007. Daqui para frente,
nossa opção foi a seguinte: fazer uma primeira
parte de preparação da montagem, fazer o sinc
das imagens com o material sonoro na Doc Doma e no Estúdio
Base. A administração da Studio Brasil e a
produção do filme estão resolvendo
as pendências de produção que ficam
para depois do processo de filmagem. Outubro, novembro e
dezembro são meses fundamentais para a captação.
É quando as empresas fecham o balanço do ano
corrente e aprovam os orçamentos do próximo.
Então, todas as nossas forças estão
concentradas nisso, em buscar contato com empresas para
completar os 50% do orçamento que a carta da Ancine
nos permite captar – o que dá R$ 1,8 milhão.
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Jardim das Folhas
Sagradas:
lançamento em julho de 2007 |
Agora, me sinto outro, outra pessoa. A gente faz o filme,
mas o filme também faz a gente. Ainda mais numa produção
com 60 atores, 1000 figurantes e 80 profissionais na equipe
técnica. E é com esse handcap que parto
para fazer a captação do restante dos recursos.
Se eu estivesse só montando agora, teria que passar
janeiro e fevereiro em busca de patrocínio. |
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| De
onde veio a primeira parte dos recursos financeiros?
Os 50% de recursos captados são de três grandes
estatais: temos, via concurso público, a BR Distribuidora
e o BNDES e temos, via FazCultura, a Chesf. Portanto nosso
foco é manter diálogo com grandes empresas
que, de alguma maneira, tenham sintonia com o projeto e
satisfação em investir.
E,
conceitualmente, o que você diria hoje do enredo de
Jardim das Folhas Sagradas?
O filme trata de progresso e tradição, tecnologia
e religião. O metrô, por exemplo, está
lá como um símbolo, um marco de desenvolvimento
que toda cidade quer. E Salvador quer. É com muito
prazer que vejo o andamento das obras do metrô, que
está no filme e logo vai estar também na cidade.
Então ver o metrô na tela antecipa uma realidade.
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E
os outros projetos de sua produtora?
A Studio Brasil vai filmar a partir de 14 de novembro o longa
metragem Pau Brasil, de Fernando Bélens. É
momento de torcermos para que tudo dê certo com essa
produção que está sediada em Cachoeira,
cidade que tem no audiovisual uma vocação histórica,
com os seus cenários, grandes filmes realizados e a
própria mobilização de intelectuais,
artistas e a própria comunidade local.
Não estamos captando apenas para Jardim, mas também
para Pau Brasil. Não existe Jardim das Folhas Sagradas
sem Pau Brasil, os dois têm que caminhar juntos.
São produzidos pela mesma empresa e têm que ser
geridos com a mesma responsabilidade e prazer. |
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Não
é o grande desafio envolver-se com dois longas? Qual
a sua relação com Pau Brasil?
Participo como co-produtor, apenas. Quero dizer, não
posso me envolver esteticamente com Pau Brasil. Fernando
está querendo fazer esse filme há 18 anos e
nós, como amigos, temos isso. Podemos trabalhar um
com o outro sem interferir, sabendo para onde o outro quer
caminhar.
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| Somos
uma pequena empresa que trouxe outras pequenas empresas, que
continuam a me dar respaldo. Procuramos as grandes também
para dar um outro carimbo. Temos a co-produção
da Quanta e da Tele Image para os dois. Com acordos desse
alcance, potencializamos a ação dos dois junto
aos patrocinadores. |
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Apesar
do tamanho da produção, grande para os padrões
locais, e de algumas seqüências mais sofisticadas,
Jardim das Folhas Sagradas não é o
filme de atores?
Completamente. A começar por dois nomes: Antonio Godi,
o protagonista, e Marcio Meirelles como preparador de elenco.
Mas também pela presença dos atores convidados,
excelentes profissionais. João Miguel, que está
no elenco de Cinema, Aspirinas e Urubus (do pernambucano
Marcelo Gomes), produção brasileira pré-indicada
ao Oscar, com a qual ele ganhou sete prêmios nacionais
e internacionais. Maria Menezes, Evelyn Buchegger, Meran Vargens,
Arany Santana, Ray Alves, Wilson Mello, Harildo Deda, Rita
Santana, Sergio Guedes, José Carlos Ngão, Haydil
Linhares, Lucio Tranchesi. Dizer os nomes é uma forma
de reconhecer isso e agradecer a todos eles.
Não posso deixar de agradecer, ainda que coletivamente,
ao Bando de Teatro do Olodum, cada vez com uma performance
mais profissional também no audiovisual. Seja na peça
Sonhos de Uma Noite de Verão, ou em Ó
Pai Ó, que já virou filme (dirigido por
Monique Gardenberg) e será ainda transformado em seriado
pela Globo, como no próprio Jardim das Folhas Sagradas.
Do mesmo modo, sou imensamente grato aos meus atores musicais,
todos grandes feras: Graça, do Ilê Aiyê,
Lazzo, Mariene de Castro, Virgínia Rodrigues e o Afrogueto.
Folhas Sagradas / Ascom
Fotos: Henrique Andrade |
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