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Um
Dia no Bom Juá |
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Escalação
de elenco une gerações do teatro baiano |
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Em ação, dona Queca
(Haydil Linhares) vocifera contra o Ilê Axé Opá
Ewê |
Quinta-feira,
dezessete de agosto. A gritaria de Dona Queca (Haydil Linhares)
chamava atenção para a cena. “Isso é
coisa do Diabo”, dizia ela, bem em frente do portão
do Ilê Axé Opá Ewê. Um grupo de adeptos
da casa apareceu, liderado por Bonfim (Antônio Godi), que
providenciou a expulsão da inconveniente senhora, também
aos berros, da vista de todos. A gritaria foi então substituída
por uma sincronia de gritos solitários. “O som
foi bom” veio do canto direito do set, quando Toninho
Murici acertou o áudio. Antônio Luiz Mendes soltou
um “foi ótimo!” que deixou sem palavras
o diretor. E sem gritar, com o polegar em riste, Pola Ribeiro
deu o sinal para equipe: seqüência 81 okay. |
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| Agora
são murmúrios, conversas paralelas. Reunidos em grupos,
cada equipe parte para a preparação do próximo
plano, cada qual de acordo com suas especificidades. O set transforma-se
num formigueiro. Um número de 80 a 160 profissionais, sempre
variando no decorrer da jornada, entre técnicos, atores e
figurantes, transita por todos os lados da locação,
que possui 500m2 de área construída, planejada em
seus mínimos detalhes pelo núcleo de arte. Uma ação,
aliás, onde a arte de não atrapalhar se faz o supra-sumo
da sensibilidade no set cinematográfico. |
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Uma
equipe de 160 pessoas cuidavam de todos os detalhes
no set do Bom Juá |
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| Construído
na comunidade do Bom Juá, localizada nas imediações
do Posto Jaqueira, às margens da BR – 324, o
Ilê Axé Opá Ewê é o território
sagrado de Bonfim. Na fábula, a tensão dramática
que desenlaça a temática do filme põe
em debate conflitos populacionais, e assume a defesa da natureza
e da cidade do Salvador. No plano real, a comunidade do Bom
Juá interage com a produção de Jardim
das Folhas Sagradas em seu círculo de vivência.
Um contingente de 25 trabalhadores, moradores do local, foi
absorvido como mão-de-obra, desde a construção
do cenário, que se estendeu por três semanas,
à manutenção e produção
do set. Nessa contagem não está contabilizada
a participação de outros tantos, como figurantes
de cena. |
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Cinema
é pra homem, menino e mulher. Todos observam atentos,
e fofocam atentos, sendo inconscientemente interpelados pela
arte da vez. Cinema é, também, a arte da espera.
Entre um plano e outro, dada à complexidade da cena,
do cenário e do set, pode-se contar uma ou duas horas
de relógio no aguardo por uma nova ordem de ação.
Espera para quem observa, diga-se, para não fazer injustiça
com o platô Macarra Vianna. Tudo passa pelo conhecimento
dele, desde a entrada e saída de veículos da
locação, a organização do espaço,
frequentemente articulada com o 1º assistente de direção
Lula Oliveira. É a hora da ação nos bastidores.
Com a fluência do trabalho em equipe o tempo parece
voar.
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Haydil Linhares espera a hora
de entrar em cena |
Durante
uma jornada de 12h, contando com intervalos previamente ditados,
grava-se em média 3 seqüências do roteiro,
escrito por Pola Ribeiro e Henrique Andrade. Atravessando
a quarta semana de filmagem, Jardim das Folhas Sagradas
estreita cada vez mais os laços e o diálogo
com Salvador. Chamando a atenção para o vínculo
entre o candomblé e ecologia, o filme pretende se apresentar
como uma ação inclusiva, de provocante reflexão
sobre as referências da cidade.
Folhas Sagradas / Ascom |
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