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8 setembro 2006
 
Um Dia no Bom Juá
 
Escalação de elenco une gerações do teatro baiano
 

Em ação, dona Queca (Haydil Linhares) vocifera contra o Ilê Axé Opá Ewê

Quinta-feira, dezessete de agosto. A gritaria de Dona Queca (Haydil Linhares) chamava atenção para a cena. “Isso é coisa do Diabo”, dizia ela, bem em frente do portão do Ilê Axé Opá Ewê. Um grupo de adeptos da casa apareceu, liderado por Bonfim (Antônio Godi), que providenciou a expulsão da inconveniente senhora, também aos berros, da vista de todos. A gritaria foi então substituída por uma sincronia de gritos solitários. “O som foi bom” veio do canto direito do set, quando Toninho Murici acertou o áudio. Antônio Luiz Mendes soltou um “foi ótimo!” que deixou sem palavras o diretor. E sem gritar, com o polegar em riste, Pola Ribeiro deu o sinal para equipe: seqüência 81 okay.

 
Agora são murmúrios, conversas paralelas. Reunidos em grupos, cada equipe parte para a preparação do próximo plano, cada qual de acordo com suas especificidades. O set transforma-se num formigueiro. Um número de 80 a 160 profissionais, sempre variando no decorrer da jornada, entre técnicos, atores e figurantes, transita por todos os lados da locação, que possui 500m2 de área construída, planejada em seus mínimos detalhes pelo núcleo de arte. Uma ação, aliás, onde a arte de não atrapalhar se faz o supra-sumo da sensibilidade no set cinematográfico.
 

Uma equipe de 160 pessoas cuidavam de todos os detalhes
no set do Bom Juá
 
Construído na comunidade do Bom Juá, localizada nas imediações do Posto Jaqueira, às margens da BR – 324, o Ilê Axé Opá Ewê é o território sagrado de Bonfim. Na fábula, a tensão dramática que desenlaça a temática do filme põe em debate conflitos populacionais, e assume a defesa da natureza e da cidade do Salvador. No plano real, a comunidade do Bom Juá interage com a produção de Jardim das Folhas Sagradas em seu círculo de vivência. Um contingente de 25 trabalhadores, moradores do local, foi absorvido como mão-de-obra, desde a construção do cenário, que se estendeu por três semanas, à manutenção e produção do set. Nessa contagem não está contabilizada a participação de outros tantos, como figurantes de cena.
 
Cinema é pra homem, menino e mulher. Todos observam atentos, e fofocam atentos, sendo inconscientemente interpelados pela arte da vez. Cinema é, também, a arte da espera. Entre um plano e outro, dada à complexidade da cena, do cenário e do set, pode-se contar uma ou duas horas de relógio no aguardo por uma nova ordem de ação. Espera para quem observa, diga-se, para não fazer injustiça com o platô Macarra Vianna. Tudo passa pelo conhecimento dele, desde a entrada e saída de veículos da locação, a organização do espaço, frequentemente articulada com o 1º assistente de direção Lula Oliveira. É a hora da ação nos bastidores. Com a fluência do trabalho em equipe o tempo parece voar.



Haydil Linhares espera a hora de entrar em cena
Durante uma jornada de 12h, contando com intervalos previamente ditados, grava-se em média 3 seqüências do roteiro, escrito por Pola Ribeiro e Henrique Andrade. Atravessando a quarta semana de filmagem, Jardim das Folhas Sagradas estreita cada vez mais os laços e o diálogo com Salvador. Chamando a atenção para o vínculo entre o candomblé e ecologia, o filme pretende se apresentar como uma ação inclusiva, de provocante reflexão sobre as referências da cidade.



Folhas Sagradas / Ascom
Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil