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Sérgio
Guedes e Jairo Uidá não são a mesma pessoa?
Mas bem que poderiam |
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Radicado
em Paris desde 1984, Sérgio Guedes voltou ao Brasil por motivos
estritamente profissionais. As Criadas, de Jean Genet,
foi o que levou o ator ao circuito europeu, em montagem teatral
assinada pelo diretor Eric Bopodor, que rodou o continente, permanecendo
em cartaz por três anos. Com três décadas de
carreira, Sérgio integra o elenco de Jardim das Folhas
Sagradas na pele de Jairo Uidá, um professor universitário
e filho de santo, grande amigo de Bonfim (Ântonio Godi), personagem
principal da trama.
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A
experiência na Europa remete a coincidências e descobertas
na vida do ator. Antropólogo e professor convidado do Instituto
de Estudos Teatrais da Universidade de Paris, Sérgio mergulhou
nos estudos da teoria do teatro e se aprofundou na atividade cênica
estrelando montagens de autores franceses dos mais diversos gêneros.
“Eu gosto do trabalho de ator”, diz Sérgio,
que – admite ele – nunca manteve uma grande aproximação
com o cinema. “Nunca vi os filmes que eu fiz”, revela
o ator, que já participou de alguns curtas. Sua participação
em Jardim das Folhas Sagradas marca o reencontro profissional
com o diretor de elenco Marcio Meirelles, com quem trabalhou na
fase do grupo Avelãs y Avestruz, em meados dos anos 70.
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| O
alheamento confesso ao fascínio da vida social do meio artístico
pode ter influência na postura do ator, que, como intelectual,
encontra refúgio na quietude de suas pesquisas e trabalhos
acadêmicos. Mas a contaminação positiva entre
as duas áreas não deixa de marcar sua rotina. |
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Foi
como pesquisador que Sérgio Guedes encontrou sua
maior indentificação com Jairo Uidá,
peça importante na trama de Jardim das Folhas
Sagradas. Da estreita relação com o mundo
das artes, estimulada pelo auto-conhecimento das próprias
origens, Sérgio e Jairo propõem em suas ações
uma maturação do saber em prol da partilha
de conhecimento com os que estão à sua volta.
De matriz
africana, sua família chegou ao Brasil no século
XVIII, oriunda da Costa do Marfim, por meio de uma imigração
voluntária. A partir dessa raiz, Sérgio enfatiza
o aspecto colonial, “brutal e nefasto”, como
divisor de águas na valorização da
cultura enquanto bem público, gerador de divisas.
“No Brasil a cultura não é encarada
como ponto primordial de produção de conhecimento”,
o que, segundo o ator, propicia uma cristalização
dos processos de produção de cultura.
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Rita Santana e Sérgio
Guedes num momento de concentração

Leitura de texto: Sérgio
Guedes entre Pola Ribeiro e Lúcio Tranchesi
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Sérgio
Guedes pontua suas críticas, mas se mostra sensível
ao momento de efervescência que atravessa a produção
local. De tema estritamente baiano,
Jardim das Folhas Sagradas se aprofunda na cotidianidade
da vida em Salvador, descrevendo seus moradores e o funcionamento
da cidade por um viés contemporâneo. Um olhar
singular que pode ser encarado, segundo Sérgio,
como “um passo à emancipação cultural
da Bahia”.
Folhas Sagradas / Ascom |
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