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22 agosto 2006
 
Sérgio Guedes e Jairo Uidá não são a mesma pessoa?

Mas bem que poderiam
 
 
Radicado em Paris desde 1984, Sérgio Guedes voltou ao Brasil por motivos estritamente profissionais. As Criadas, de Jean Genet, foi o que levou o ator ao circuito europeu, em montagem teatral assinada pelo diretor Eric Bopodor, que rodou o continente, permanecendo em cartaz por três anos. Com três décadas de carreira, Sérgio integra o elenco de Jardim das Folhas Sagradas na pele de Jairo Uidá, um professor universitário e filho de santo, grande amigo de Bonfim (Ântonio Godi), personagem principal da trama.


Sérgio Guedes interpreta Jairo
Veja perfil do personagem

A experiência na Europa remete a coincidências e descobertas na vida do ator. Antropólogo e professor convidado do Instituto de Estudos Teatrais da Universidade de Paris, Sérgio mergulhou nos estudos da teoria do teatro e se aprofundou na atividade cênica estrelando montagens de autores franceses dos mais diversos gêneros. “Eu gosto do trabalho de ator”, diz Sérgio, que – admite ele – nunca manteve uma grande aproximação com o cinema. “Nunca vi os filmes que eu fiz”, revela o ator, que já participou de alguns curtas. Sua participação em Jardim das Folhas Sagradas marca o reencontro profissional com o diretor de elenco Marcio Meirelles, com quem trabalhou na fase do grupo Avelãs y Avestruz, em meados dos anos 70.

 
O alheamento confesso ao fascínio da vida social do meio artístico pode ter influência na postura do ator, que, como intelectual, encontra refúgio na quietude de suas pesquisas e trabalhos acadêmicos. Mas a contaminação positiva entre as duas áreas não deixa de marcar sua rotina.
 

Foi como pesquisador que Sérgio Guedes encontrou sua maior indentificação com Jairo Uidá, peça importante na trama de Jardim das Folhas Sagradas. Da estreita relação com o mundo das artes, estimulada pelo auto-conhecimento das próprias origens, Sérgio e Jairo propõem em suas ações uma maturação do saber em prol da partilha de conhecimento com os que estão à sua volta.

 

De matriz africana, sua família chegou ao Brasil no século XVIII, oriunda da Costa do Marfim, por meio de uma imigração voluntária. A partir dessa raiz, Sérgio enfatiza o aspecto colonial, “brutal e nefasto”, como divisor de águas na valorização da cultura enquanto bem público, gerador de divisas. “No Brasil a cultura não é encarada como ponto primordial de produção de conhecimento”, o que, segundo o ator, propicia uma cristalização dos processos de produção de cultura.


Rita Santana e Sérgio Guedes num momento de concentração


Leitura de texto: Sérgio Guedes entre Pola Ribeiro e Lúcio Tranchesi

 
Sérgio Guedes pontua suas críticas, mas se mostra sensível ao momento de efervescência que atravessa a produção local. De tema estritamente baiano,
Jardim das Folhas Sagradas
se aprofunda na cotidianidade da vida em Salvador, descrevendo seus moradores e o funcionamento da cidade por um viés contemporâneo. Um olhar singular que pode ser encarado, segundo Sérgio,
como “um passo à emancipação cultural da Bahia”.




Folhas Sagradas / Ascom
Studio Brasil 2008 - Salvador - Bahia - Brasil