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| Das
janelas e marquises, da calçada, de cima dos muros. Pouco
a pouco, naquele sábado de 22 de julho, uma multidão
(1.300 pessoas, no cálculo da PM) se formou na ladeira do
Curuzu para ver o início das filmagens do primeiro longa-metragem
do cineasta Pola Ribeiro. Jardim das Folhas Sagradas teve
sua tomada inicial em Salvador justo ali, onde os movimentos dos
corpos sonoros do Ilê Aiyê reverberam toda a vibração,
e caráter de resistência, da expressão negra.
A magia do cinema lapidava os sorrisos, um a um, em sintonia harmoniosa
com valores e tradições de uma Bahia de alma barroca
e suas contradições com a natureza e sua gente. |
| Fotos:
Henrique Andrade |
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A caminhada no Curuzu reuniu
cerca de 1.300 pessoas |
Agora
quem olha é a câmera. Ela desenha a multidão
colorida. O movimento se repete algumas vezes, várias vezes.
Numa passeata, o Dia da Consciência Negra se reconstituía
em cena. No nosso 20 de novembro, artistas, intelectuais e personalidades
da comunidade afrodescendente encorpavam ao lado de Bonfim (Antônio
Godi) o ato em prol do terreiro Ilê Axé Opa Ewe.
Entre um plano e outro, dá pra ver o diretor com as mãos
na cabeça. Calma, Pola! Agora vai. Corre daqui,
corre dali. Tudo certo. A ansiedade dá lugar à satisfação.
A ação conduz olhares pelos caminhos do universo
de orixás e explana novo sentido aos espíritos guerreiros
da sétima arte: alegria, alegria! |
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Pola Ribeiro (diretor do filme) e Antonio Luiz (diretor
de fotografia) |

Equipe de fotografia
em ação |
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| Na
Senzala do Barro Preto flertamos com a beleza que dança,
dança, solta e linda à espera do beijo. A cena
do beijo primeiro entre Cora (Auristela Sá) e Bonfim,
casal protagonista do filme. O espaço é apertado.
A equipe é grande. A figuração extravasa
o semblante faceiro. Luz ok? Vamos rodar? Dessa vez
o movimento é preciso, mas Antonio Luiz Mendes continua
com a câmera na mão. A câmera encontra
as nuances de gestos sensuais e se aproxima das personagens.
Está bonito, está bonito!, alguém
comenta baixinho. O Ilê faz a trilha. Olhos nos olhos.
Estava na hora. Beija!!!! Beija!!!!!!!, Pola gritou.
E sorriu. O menino sorriu o sorriso que nascera há
15 anos, na escrita das primeiras linhas do roteiro que ali
se fotografava em película. |
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Ainda
não tinha acabado. As últimas cenas eram da
festa. Câmera literalmente nos trilhos. Graça
divide o palco com Lazzo. A intensidade distinta dos sons
resultava em sublime simetria com o balanço da comunidade,
que àquela altura já fazia parte de tudo o que
estava acontecendo a sua volta. Lá fora a criançada
se divertia e disputava pra ver quem comeu mais acarajé.
Um diz que comeu dois. Outro conta vantagem, comi dois
com camarão. Mas a menina de trança, que
ainda abocanhava o quitute recheado com tudo que a baiana
tinha no tabuleiro, apontava o escore final: papou 3. Estávamos
todos saciados. Matamos a fome de cinema! Mas era só
o primeiro dia.
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Folhas Sagradas / Ascom |
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