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17 jun 2006
 
‘O candomblé é a religião do gesto e do corpo’,

afirma antropólogo
 

As equipes de elenco, produção e direção do longa-metragem Jardim das Folhas Sagradas reuniram-se na tarde da sexta-feira 16 de junho para acompanhar a palestra do antropólogo Cláudio Pereira sobre sacrifício de animais no candomblé. A palestra foi realizada na Fundação Cultural do Estado da Bahia (Barris) e proporcionou um intenso debate entre os presentes.



Antropólogo Cláudio Pereira
“O candomblé pode ser considerado a religião do gesto e do corpo, tem plasticidade própria e uma orientação simbólica que a define. O sacrifício comporta uma ritualidade, mas não é somente um rito”, afirmou Cláudio Pereira. O antropólogo esclareceu que, embora esteja presente em diversas culturas, o sacrifício é objeto de interpretações diferentes. “No contexto das religiões afro-brasileiras, por exemplo, deve ser afastado da leitura cristã.”

A noção de sacrifício, segundo Pereira, é fundamental na antropologia e tem grande centralidade na própria religião católica porque funciona como mediador entre os homens e o sagrado. O que ocorre com o sacrifício na prática do candomblé é um processo mimético, ou seja, o animal substitui o homem.

O simbolismo, de fato, é ingrediente dos mais fortes no processo do sacrifício de animais para o candomblé. Da espécie a ser sacrificada, que varia de acordo com o orixá a ser venerado, aos participantes de cada etapa, todo o procedimento deve ser seguido criteriosamente. Para Ossain, principal orixá a ser abordado no filme dirigido por Pola Ribeiro, devem ser ofertados bode, porco, galo ou galinha d’angola. Para Xangô, carneiro, galo ou cabra. Porém, lembra Pereira, Exu deve ser sempre servido, em qualquer sacrifício, com um animal de duas patas. “O que significa dizer que qualquer sacrifício acaba se desdobrando em no mínimo dois.”

Mães e pais de santo, iabás, ogãs. Cada um tem um papel determinado para que o sacrifício seja cumprido corretamente. “Em qualquer religião o sagrado é altamente destrutivo, por isso há a figura do mediador”, afirmou Pereira, que também é professor de cinema na Faculdade de Tecnologia e Ciências.
“A oferenda foi aos poucos ganhando força no roteiro”, disse Pola Ribeiro no início da palestra. O evento contou com a presença de profissionais da equipe de produção, da assistente de direção Sofia Federico, do produtor de elenco Elson Rosário e de atores do filme, entre os quais, Carlos Betão, Sergio Guedes, Lucio Tranchesi, Erico Brás, Iara Colina, Rita Santana, Nélia Carvalho, Frida Gutmann, Valdinéia Soariano e André Becker. As filmagens de Jardim das Folhas Sagradas serão realizadas de 13 de julho a 30 de agosto.


Folhas Sagradas / Ascom

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