| As
equipes de elenco, produção e direção
do longa-metragem Jardim das Folhas Sagradas reuniram-se
na tarde da sexta-feira 16 de junho para acompanhar a palestra
do antropólogo Cláudio Pereira sobre sacrifício
de animais no candomblé. A palestra foi realizada
na Fundação Cultural do Estado da Bahia (Barris)
e proporcionou um intenso debate entre os presentes.
Antropólogo Cláudio Pereira |
“O
candomblé pode ser considerado a religião
do gesto e do corpo, tem plasticidade própria
e uma orientação simbólica que
a define. O sacrifício comporta uma ritualidade,
mas não é somente um rito”, afirmou
Cláudio Pereira. O antropólogo esclareceu
que, embora esteja presente em diversas culturas, o
sacrifício é objeto de interpretações
diferentes. “No contexto das religiões
afro-brasileiras, por exemplo, deve ser afastado da
leitura cristã.”
A noção de sacrifício, segundo
Pereira, é fundamental na antropologia e tem
grande centralidade na própria religião
católica porque funciona como mediador entre
os homens e o sagrado. O que ocorre com o sacrifício
na prática do candomblé é um processo
mimético, ou seja, o animal substitui o homem.
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O simbolismo, de fato, é ingrediente
dos mais fortes no processo do sacrifício de animais
para o candomblé. Da espécie a ser sacrificada,
que varia de acordo com o orixá a ser venerado, aos
participantes de cada etapa, todo o procedimento deve ser
seguido criteriosamente. Para Ossain, principal orixá
a ser abordado no filme dirigido por Pola Ribeiro, devem
ser ofertados bode, porco, galo ou galinha d’angola.
Para Xangô, carneiro, galo ou cabra. Porém,
lembra Pereira, Exu deve ser sempre servido, em qualquer
sacrifício, com um animal de duas patas. “O
que significa dizer que qualquer sacrifício acaba
se desdobrando em no mínimo dois.”
Mães e pais de santo, iabás, ogãs.
Cada um tem um papel determinado para que o sacrifício
seja cumprido corretamente. “Em qualquer religião
o sagrado é altamente destrutivo, por isso há
a figura do mediador”, afirmou Pereira, que também
é professor de cinema na Faculdade de Tecnologia
e Ciências.
“A oferenda foi aos poucos ganhando força no
roteiro”, disse Pola Ribeiro no início da palestra.
O evento contou com a presença de profissionais da
equipe de produção, da assistente de direção
Sofia Federico, do produtor de elenco Elson Rosário
e de atores do filme, entre os quais, Carlos Betão,
Sergio Guedes, Lucio Tranchesi, Erico Brás, Iara
Colina, Rita Santana, Nélia Carvalho, Frida Gutmann,
Valdinéia Soariano e André Becker. As filmagens
de Jardim das Folhas Sagradas serão realizadas de
13 de julho a 30 de agosto.
Folhas Sagradas / Ascom
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